22.7.09

desventuras cariocas: o 410

Precisava escrever sobre isso, provavelmente a pior experiência de ônibus da minha vida. Primeiro: eu odeio andar de ônibus, principalmente por conta dos motoristas pé-de-chumbo. Não sei se isso surgiu depois de tirar minha carteira de motorista, mas eu fico bem mais nervosa quando não estou no controle do veículo. No caso de um trombolho do tamanho de um ônubus em alta velocidade, multiplique por mil. Fora isso, outros motivos que aumentam meu desafeto por esse meio de transporte: trocadores mal-humorados, carros caindo aos pedaços (e muitas vezes i-mun-dos - vide o famigerado 634) e toda a sorte de malucos que volta e meia entra pela porta de saída.

Pois então, ontem saí de casa para comemorar a defesa da Marina lá no O Plebeu, em Botafogo. Segundo ela mesma, para fechar um círculo que começou dois anos antes com a comemoração da aprovação no mestrado. Super digno. Fora que lá vivi alguns ótimos e engraçados momentos na companhia dela e de outros amigos queridos.

Fui para a parada na Praça da Bandeira. Não lembrava do número do ônibus que passava mais perto, tentei o 464, daí o motorista recomendou o 434 e o 435 (mais rápido). Logo passou um 434 e o motorista garantiu que não passava na Real Grandeza. Desce do segundo ônibus seguido. O dia estava acabando e eu ansiosa para chegar lá.

Cerca de dez minutos depois, passa um 435! "Passa na Real Grandeza?" "Sim". Beleza, lá fui eu. Contrariando a minha imagem de ônibus ruim, esse foi nota 10!: carro novo, motorista pé-na-média-do-aceitável, trocadora sussa. Realmente o motorista do 464 deu uma boa dica, esse 435 chegou em dois tempos em Botafogo.

Mas na hora de voltar...
Saí de lá pouco antes das 21hs. Agora o negócio era encontrar um ônibus que fosse pra Tijuca. Já tinha notado que alguns ônibus que iam pra Saens Peña passavam a algumas quadras da minha casa, e não quis pegar o ônibus do metrô porque ia demorar demais até chegar em casa (aaaah, se eu soubesse...). o que foi que eu fiz? me joguei no primeiro ônibus com as palavras mágicas 'Saens + Peña':

um 410.
(pausa dramática)

primeira pergunta mesmo antes de botar o pé no ônibus:
- "o senhor passa pela praça da estação de metrô Afonso Pena?" (o nome da praça é Castilhos França, mas todo mundo conhece como Afonso Pena por causa da estação de metrô)
- "Afonso Pena?... ah, sim!"

achei o ônibus simpático, tinham dois monitores exibindo imagens do Rio. fui acompanhando o trajeto. até a Lapa, praticamente nenhuma diferença com o 464 que eu costumo pegar quando volto de Botafogo. pouco antes de chegar na Lapa, perrengue #1: entrou um senhor pela porta de saída, mamado, com uma xerox de identidade na mão. Detalhe: ele entrou, abanou a identidade pro motorista de longe e sentou. Pronto, o motorista não saiu da parada. Ficou batendo boca com o bêbado dizendo que aquela identidade não era dele. O ponto alto da discussão foi:

Motortista (com a identidade do bêbado na mão): qual o seu nome?
Bêbado (em pé do outro lado da catraca. parou, pensou e): não! não tenho nome não!

aí ficou tenso, mais bate-boca. o motorista se recusou a acreditar que o bêbado tinha nascido em 1943, e o bêbado (já sentado) prontamente rebateu: "é isso mesmo, 68 anos!" (OI? faz a conta... kkkk) não pude deixar de pensar nos tipos conservados no álcool e derivados...

no final o velho continuou falando alto e trocando de assento sem parar (trocadilho intencional, hahaha!). e o motorista, certamente por conta disso, começou a sentar o pé bonito e a fazer sinal de luz pros ônibus parados pra avisar que ele tava passando a milhões...

aí pouco depois de passar pela Praça da Cruz Vermelha, ele pega um caminho nada a ver com o 464. teeenso. eu já estava estressada com o velho e pau da vida porque estava levando mais do dobro do tempo para chegar em casa. fora que o motorista tava correndo demais. não fazer noção de onde se anda, à noite, é a pior das sensações. sente só o drama... algumas ruas depois o velho pediu pra descer e ainda ofereceu uma birita pro motorista: "deixa que eu vou ali e pego pra você". ¬¬

e virei a única passageira no ônibus. pela janela via um morro todo iluminado bem mais perto de mim do que deveria, apavorei: será que tô no Estácio? Estácio seria bem além do meu ponto. Resolvi continuar e rezar pra Nossa Senhora do Google Earth alumiá meu caminho, com algum nome de rua conhecido.

várias quadras depois quase tive um treco ao reconhecer a Haddock Lobo. descendo mais essa rua ele realmente poderia passar pela praça. ele entrou na rua, mas... duas quadras depois ele pega uma ruazinha e vai parar na Dr. Satamini, que é a rua da praça, mas várias quadras depois... deu raiva do motorista naquele momento, quase mandei ele dar meia volta. hahaha!

e não é que o cara de pau me perguntou onde eu ia descer? muito sem-noção.
finale: acabei descendo na frente da estação São Francisco Xavier, e graças ao meu cartão pré-pago (e que tinha o valor de UMA passagem, fora isso não tinha um único centavo extra no bolso) consegui pegar o metrô e voltar UMA estação até a Afonso Pena. levei mais de UMA HORA pra chegar em casa.

e procurando uma foto do 410 achei essa notícia bonita.

ne-ver-mo-re!

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25.4.09

A Odisséia
(ou: "senta que lá vem história...")

Domingo passado o Flamengo venceu o Botafogo na final da Taça Rio. Felicidade, comemoração, berros na janela e a certeza de que deveria ir aos dois próximos jogos, porque agora é a final do Campeonato Carioca: Botafogo, o vencedor da Taça Guanabara versus Flamengo. Beleza, partiu Maraca!

Sabia que deveria garantir meu ingresso logo no primeiro dia de vendas. Como terça foi feriado, os ingressos começaram a ser vendidos na quarta. No jornal das 19hs de terça divulgaram os pontos de venda, dentre eles Laranjeiras, daí lembrei a última vez em que comprei ingresso lá, facim facim, não fiquei nem 5 minutos na ‘fila’ (meia-dúzia de gato pingado). Beleza, partiu Laranjeiras!

Eram 10:30 quando saí de casa. Peguei o 435 (Gávea), e ao descer no ponto que fica bem em frente à bilheteria das Laranjeiras... ninguém! Todas as bilheterias abertas e nem viva alma ao redor delas. Bah, mas que beleza!! É só chegar e comprar! Depois atravesso a rua, pego qualquer ônibus que passe pela Praça da Bandeira, e tô em casa! Beleza, partiu partiu!!! :p

Chego em uma das bilheterias, enfio a cara (uia, delicada!...) e peço, com a educação que meus pais me deram:

- "Bom dia, por favor uma meia, arquibancada verde / amarela pro jogo do Flamengo."
- "Não estamos vendendo."
- "Não estão vendendo pro jogo do flamengo?"
- "Não senhora"
- "Mas como assim??? Passou no jornal de ontem que iam vender aqui!!"
- "Não estamos vendendo."


Virei as costas e desesperei (o bom e velho: "Ca%$#*&, Fu%$#."). Liguei pra Marina (que ia comprar ingresso mas desistiu porque ta com o pé ferrado e não vai agüentar ir pro estádio), em busca de uma cabeça descansada que pudesse me aconselhar melhor. Ela já tinha me avisado mais cedo que na Gávea tava uma fila danada (o plano A era mesmo ir na Gávea, daí eu ia com minha camiseta do Flamengo, ia comprar o ingresso e 'turistá': tirar fotitas pra matar meu pai de desgosto). Estava pensando em me arriscar no Maracanã, mas na hora achei furada. As filas de lá – ainda mais de meia entrada – são quilométricas... a saída era ir pra Gávea mesmo, mas...

Acontece que eu nunca tinha ido praqueles lados. Achava que era pertinho. Pertinho uma pinóia... Peguei o 432 (Vila Isabel/Gávea) e me fui. Pedi ao trocador (cobrador) que me avisasse do ponto mais próximo à sede do Flamengo. Nossa... como demorou pra chegar lá!! Copacabana, Ipanema... sem exagero uns 40/50 minutos... Daí lá pelas tantas o cobrador me disse pra descer no próximo ponto, pegar a primeira rua à direita e subir que logo chegava lá. Beleza.

Andei umas duas quadras e comecei a visualizar um prédio com o escudo do Flamengo na esquina. Ok, cheguei! Quando fui pensar em onde ficava a bilheteria, me aproximo da esquina e, para meu horror, vi a tal da fila. E percorri a fila pra ver até onde ia... o quarteirão da bilheteria tomado de gente, e mais um pedaço do outro quarteirão, na frente do tal do Pizza Park. Caraca. Meio-dia. Entrei na fila.

Apesar da impressão incial - de que ia demorar - resolvi levar na boa, afinal, melhor do que ver os ingressos esgotarem em poucos dias e ter que morrer em muitos Reais na mão de um cambista... mas claro, os pensamentos pessimistas me perseguem, e claro, eles podiam acabar antes da minha vez... ou podia rolar um quebra-pau lá na frente... tudo podia acontecer, mas mesmo assim meu humor estava mara...

Fiquei uns 10 minutos sendo a última da fila. Na minha frente, dois caras, um com quase 2 metros de altura, o outro mais baixo do que eu (tenho 1,69m :p). Mó pinta de boy os dois. Depois dos 10 minutos entraram 4 caras de uma mesma empresa, e logo outras pessoas. Esses 4 caras acabaram desistindo da fila e resolveram tentar comprar em São Cristóvão. Daí começa meu martírio...

Zé mané, babaca, carrapato, playvéi (porque de boy não tinha nada...), 9a. praga do Egito (a 8a. são as traças. fato.).
Poucas mais acertadas palavras para definir o mala que se instalou nas minhas costas. Sim, se instalou. Nada contra a pessoa numa fila ficar apoiada na parede, sabe como é, uma hora o povo cansa e uma parede pode ser salvadora das costas... mas o cara era tão mas tão babaca e sem-noção que me achou com cara de parede. se imaginou encostado entre duas paredes e a idiota da frente que se virasse.

Uma, duas, três esbarradas. Logo ele engatou um papo com outras pessoas que estavam atrás dele, e o cara era daqueles que praticamente falava com os braços... e nessa brincadeira quatro, cinco, seis, sete esbarradas. Sentia meu cabelo mexer (tenho pavooooor de gente estranha mexendo no meu cabelo!!!!) Comecei a mexer no cabelo - quase jogando o cabelo pra cima dele, pra ver se ele se tocava, e nada. Pra melhorar o quadro, o cara falava alto. E falava muita mierda.

No começo a fila andava muito devagar. Dois, três passinhos a cada 10, 15 minutos. Só me preocupava com meu ingresso e minha paciência, que começava a dar sinais de que ia me abandonar logo, logo. A cada esbarrada eu dava uma olhada por cima do ombro, pra ver se o babaca se ligava. nada.

Umas 2 horas depois eu estava a uns 500 metros da bilheteria, ainda tinha chão, e o zé mané esbarrando em mim a cada 5 minutos. Lá pelas tantas eu virei pra ele, estava de costas para mim, mas um dos caras com quem ele conversava percebeu e abaixou a cabeça (certamente de vergonha). na-da.

À essa altura eu já tinha apelado para contar até 10. 50. 100. 1000. Uma hora resolvi apoiar meu braço na parede para ver se ele dava uma afastada. Estava cansada, pés, pernas, costas doloridas. Fechei um pouco os olhos para descansar, e não é que mais ou menos 1 minuto depois eu sinto uma mão mei que me empurrando pela cintura, me viro e o mané aparece do meu lado com um sorriso amarelo dizendo 'andando'... baaaaaaaaaaaahhhh, pra quê? dei uma olhada sinistra pra ele, que continuou com o sorriso amarelo na cara achando tudo muito normal.

Mais uns 15 minutos e umas 5 esbarradas e 'puf' lá se foi meu limite. Virei pra ele falando em voz alta: "porra, tá brabo hein moço?", o babaca veio com um "ah, desculpa". Sabe o que faz com suas desculpas?? Introduz no olho!!!!! (bem que queria ter respondido, mas não teria sido tão polida...)

Cara, sou super paciente. Guento ficar 3 horas numa fila, guento sol na cabeça, guento chuva, mas num guento gente folgada e mal educada... Será que o mané não percebeu que ficar grudado nas minhas costas não fazia a fila andar mais rápido?? O cara acabava até com paciência de monge budista. Certeza!! Imaginei o Dalai Lama voando na jugular do sujeito. Merecidamente.

Já a poucos metros o babaca sossegou o facho, mas não saiu das minhas costas. Não é que mais à frente, quase na cara das bilheterias, a umas 3 pessoas na minha frente, uma madame furou a fila???? FU-ROU. Na caruda. Não devia nem ter 50 e poucos anos e veio pagar de idosa: "estou exercendo meus direitos". Direitos o CA%$#&*!!!! E estava com carteirinha de estudante na mão. Garrei um óooodio... Quando me dei por conta, comecei a puxar um 'o quêeee??? não acredito!!! furando a fila??? furando a filaaaaaa???'

Fala sério, 3 horas pra ver isso acontecer, e as pessoas da frente protestarem mas sem aumentar o volume da voz??? àquela altura eu queria era ver sangue mesmo!!!!! pra véia deixar de ser babaca. e outra, TÁ BOM que a 'velha' fajuta vai no Maracanã... a-ham! não tem coisa que me dá mais nojo do que pessoas que se aproveitam disso para furar fila... (tipo: "tia, vai ali na Gávea e compra um ingresso pra mim? ah, a senhora nem vai precisar entrar na fila..." ¬¬')ali não tinha nenhuma bilheteria com uma placa: 'atendimento preferencial para gestantes, idosos, etc.' E tinha pelo menos uns dois senhores beeem mais velhos que aquela velha fajuta na fila, encarando as mesmas 3 horas que todo mundo!!!

Mas não adiantou nada. O meio-metro na minha frente ainda me olhou feio. Babaca.

No final não foram nem 30 segundos comprando. E saí sem olhar pra trás, pois lá ainda estavam os dois caras da minha frente, a velha fajuta, e o zé mané. De cara liguei pra Marina resumindo as 3 horas de tortura chinesa... haaaaaja paciência, viu??

missão cumprida!!!

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:D T

ati de Tatiana, 29, squint pride!, made in Rio Grande do Sul, morando no Rio de Janeiro. Não vivo sem: família, namorado, Lola, amigos. Gosto de livros e filmes antigos (quanto mais bolorentos, melhor! - os filmes, não os livros :p). Atualmente ouvir música depende muito do meu humor. Me interesso por: arqueologia, antropologia forense, body art, música, fotografia, cosméticos, toy art, moda e webdesign. Tenho minhas tatuagens , meus piercings e nenhum arrependimento. Historiadora e arqueóloga aprendiz de paleopatologista (!) (um dia a gente chega lá...), enfim... uma metamorfose ambulante. @

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