25.4.09

A Odisséia
(ou: "senta que lá vem história...")

Domingo passado o Flamengo venceu o Botafogo na final da Taça Rio. Felicidade, comemoração, berros na janela e a certeza de que deveria ir aos dois próximos jogos, porque agora é a final do Campeonato Carioca: Botafogo, o vencedor da Taça Guanabara versus Flamengo. Beleza, partiu Maraca!

Sabia que deveria garantir meu ingresso logo no primeiro dia de vendas. Como terça foi feriado, os ingressos começaram a ser vendidos na quarta. No jornal das 19hs de terça divulgaram os pontos de venda, dentre eles Laranjeiras, daí lembrei a última vez em que comprei ingresso lá, facim facim, não fiquei nem 5 minutos na ‘fila’ (meia-dúzia de gato pingado). Beleza, partiu Laranjeiras!

Eram 10:30 quando saí de casa. Peguei o 435 (Gávea), e ao descer no ponto que fica bem em frente à bilheteria das Laranjeiras... ninguém! Todas as bilheterias abertas e nem viva alma ao redor delas. Bah, mas que beleza!! É só chegar e comprar! Depois atravesso a rua, pego qualquer ônibus que passe pela Praça da Bandeira, e tô em casa! Beleza, partiu partiu!!! :p

Chego em uma das bilheterias, enfio a cara (uia, delicada!...) e peço, com a educação que meus pais me deram:

- "Bom dia, por favor uma meia, arquibancada verde / amarela pro jogo do Flamengo."
- "Não estamos vendendo."
- "Não estão vendendo pro jogo do flamengo?"
- "Não senhora"
- "Mas como assim??? Passou no jornal de ontem que iam vender aqui!!"
- "Não estamos vendendo."


Virei as costas e desesperei (o bom e velho: "Ca%$#*&, Fu%$#."). Liguei pra Marina (que ia comprar ingresso mas desistiu porque ta com o pé ferrado e não vai agüentar ir pro estádio), em busca de uma cabeça descansada que pudesse me aconselhar melhor. Ela já tinha me avisado mais cedo que na Gávea tava uma fila danada (o plano A era mesmo ir na Gávea, daí eu ia com minha camiseta do Flamengo, ia comprar o ingresso e 'turistá': tirar fotitas pra matar meu pai de desgosto). Estava pensando em me arriscar no Maracanã, mas na hora achei furada. As filas de lá – ainda mais de meia entrada – são quilométricas... a saída era ir pra Gávea mesmo, mas...

Acontece que eu nunca tinha ido praqueles lados. Achava que era pertinho. Pertinho uma pinóia... Peguei o 432 (Vila Isabel/Gávea) e me fui. Pedi ao trocador (cobrador) que me avisasse do ponto mais próximo à sede do Flamengo. Nossa... como demorou pra chegar lá!! Copacabana, Ipanema... sem exagero uns 40/50 minutos... Daí lá pelas tantas o cobrador me disse pra descer no próximo ponto, pegar a primeira rua à direita e subir que logo chegava lá. Beleza.

Andei umas duas quadras e comecei a visualizar um prédio com o escudo do Flamengo na esquina. Ok, cheguei! Quando fui pensar em onde ficava a bilheteria, me aproximo da esquina e, para meu horror, vi a tal da fila. E percorri a fila pra ver até onde ia... o quarteirão da bilheteria tomado de gente, e mais um pedaço do outro quarteirão, na frente do tal do Pizza Park. Caraca. Meio-dia. Entrei na fila.

Apesar da impressão incial - de que ia demorar - resolvi levar na boa, afinal, melhor do que ver os ingressos esgotarem em poucos dias e ter que morrer em muitos Reais na mão de um cambista... mas claro, os pensamentos pessimistas me perseguem, e claro, eles podiam acabar antes da minha vez... ou podia rolar um quebra-pau lá na frente... tudo podia acontecer, mas mesmo assim meu humor estava mara...

Fiquei uns 10 minutos sendo a última da fila. Na minha frente, dois caras, um com quase 2 metros de altura, o outro mais baixo do que eu (tenho 1,69m :p). Mó pinta de boy os dois. Depois dos 10 minutos entraram 4 caras de uma mesma empresa, e logo outras pessoas. Esses 4 caras acabaram desistindo da fila e resolveram tentar comprar em São Cristóvão. Daí começa meu martírio...

Zé mané, babaca, carrapato, playvéi (porque de boy não tinha nada...), 9a. praga do Egito (a 8a. são as traças. fato.).
Poucas mais acertadas palavras para definir o mala que se instalou nas minhas costas. Sim, se instalou. Nada contra a pessoa numa fila ficar apoiada na parede, sabe como é, uma hora o povo cansa e uma parede pode ser salvadora das costas... mas o cara era tão mas tão babaca e sem-noção que me achou com cara de parede. se imaginou encostado entre duas paredes e a idiota da frente que se virasse.

Uma, duas, três esbarradas. Logo ele engatou um papo com outras pessoas que estavam atrás dele, e o cara era daqueles que praticamente falava com os braços... e nessa brincadeira quatro, cinco, seis, sete esbarradas. Sentia meu cabelo mexer (tenho pavooooor de gente estranha mexendo no meu cabelo!!!!) Comecei a mexer no cabelo - quase jogando o cabelo pra cima dele, pra ver se ele se tocava, e nada. Pra melhorar o quadro, o cara falava alto. E falava muita mierda.

No começo a fila andava muito devagar. Dois, três passinhos a cada 10, 15 minutos. Só me preocupava com meu ingresso e minha paciência, que começava a dar sinais de que ia me abandonar logo, logo. A cada esbarrada eu dava uma olhada por cima do ombro, pra ver se o babaca se ligava. nada.

Umas 2 horas depois eu estava a uns 500 metros da bilheteria, ainda tinha chão, e o zé mané esbarrando em mim a cada 5 minutos. Lá pelas tantas eu virei pra ele, estava de costas para mim, mas um dos caras com quem ele conversava percebeu e abaixou a cabeça (certamente de vergonha). na-da.

À essa altura eu já tinha apelado para contar até 10. 50. 100. 1000. Uma hora resolvi apoiar meu braço na parede para ver se ele dava uma afastada. Estava cansada, pés, pernas, costas doloridas. Fechei um pouco os olhos para descansar, e não é que mais ou menos 1 minuto depois eu sinto uma mão mei que me empurrando pela cintura, me viro e o mané aparece do meu lado com um sorriso amarelo dizendo 'andando'... baaaaaaaaaaaahhhh, pra quê? dei uma olhada sinistra pra ele, que continuou com o sorriso amarelo na cara achando tudo muito normal.

Mais uns 15 minutos e umas 5 esbarradas e 'puf' lá se foi meu limite. Virei pra ele falando em voz alta: "porra, tá brabo hein moço?", o babaca veio com um "ah, desculpa". Sabe o que faz com suas desculpas?? Introduz no olho!!!!! (bem que queria ter respondido, mas não teria sido tão polida...)

Cara, sou super paciente. Guento ficar 3 horas numa fila, guento sol na cabeça, guento chuva, mas num guento gente folgada e mal educada... Será que o mané não percebeu que ficar grudado nas minhas costas não fazia a fila andar mais rápido?? O cara acabava até com paciência de monge budista. Certeza!! Imaginei o Dalai Lama voando na jugular do sujeito. Merecidamente.

Já a poucos metros o babaca sossegou o facho, mas não saiu das minhas costas. Não é que mais à frente, quase na cara das bilheterias, a umas 3 pessoas na minha frente, uma madame furou a fila???? FU-ROU. Na caruda. Não devia nem ter 50 e poucos anos e veio pagar de idosa: "estou exercendo meus direitos". Direitos o CA%$#&*!!!! E estava com carteirinha de estudante na mão. Garrei um óooodio... Quando me dei por conta, comecei a puxar um 'o quêeee??? não acredito!!! furando a fila??? furando a filaaaaaa???'

Fala sério, 3 horas pra ver isso acontecer, e as pessoas da frente protestarem mas sem aumentar o volume da voz??? àquela altura eu queria era ver sangue mesmo!!!!! pra véia deixar de ser babaca. e outra, TÁ BOM que a 'velha' fajuta vai no Maracanã... a-ham! não tem coisa que me dá mais nojo do que pessoas que se aproveitam disso para furar fila... (tipo: "tia, vai ali na Gávea e compra um ingresso pra mim? ah, a senhora nem vai precisar entrar na fila..." ¬¬')ali não tinha nenhuma bilheteria com uma placa: 'atendimento preferencial para gestantes, idosos, etc.' E tinha pelo menos uns dois senhores beeem mais velhos que aquela velha fajuta na fila, encarando as mesmas 3 horas que todo mundo!!!

Mas não adiantou nada. O meio-metro na minha frente ainda me olhou feio. Babaca.

No final não foram nem 30 segundos comprando. E saí sem olhar pra trás, pois lá ainda estavam os dois caras da minha frente, a velha fajuta, e o zé mané. De cara liguei pra Marina resumindo as 3 horas de tortura chinesa... haaaaaja paciência, viu??

missão cumprida!!!

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14.8.07

0118 999 881 999 119 725... 3

O Rio continua lindo, (e quenteeee) para a minha absoluta alegria!

Aconteceu uma pá de coisa desde que vim para cá, há pouco mais de uma semana: ganhei uma camiseta da Korova na faixa!!! (participem da comunidade e concorram a uma também!!). (YAY!); tive aulas e muitos textos para ler; mais fanlistings aprovadas pelo TFL.org; até vivi perigosamente no dia em que fui ao centro tirar minha carteira de estudante...

Quinta-feira da semana passada: por volta das 15:30. Depois de dar algumas voltas, encontro o prédio onde tem o escritório da STB. Passo pelo saguão, confirmo a sala e o recepcionista indica o lado onde estão os elevadores que atendem do 25º ao 32º andar (tinha que ir no 31º). Tão logo botei meus pés para fora do elevador dou de cara com um cara segurando a porta das escadas. Numa fração de segundo ele olha para mim e diz:

“Ta pegando fogo aqui em cima, é melhor você descer.”
“Huh!? Fala sério!?!?!?”
Sério, ta todo mundo saindo do prédio, é melhor não usar os elevadores, vamos pelas escadas.”


No impulso instintivo de correr pela minha vida me joguei pela porta das escadas e comecei a descer os 31 andares feito louca, e em cada andar que passava aumentava o número de pessoas que também iam adentrando as escadarias. Lá pelo 14º andar a coisa toda empacou, tava socado de gente, cada vez mais gente entrando nas escadas abaixo. E o povo mais de cima gritando “DESCE!” e o de baixo “CALMA!”, e foi ficando inevitavelmente quente naquele espaço tão reduzido, teve uma mulher que começou a passar mal, mas melhorou depois de tirar o casaco do terno. Celulares tocavam: “já conseguiu sair? Em que andar você está? Encontrou o fulano??”. O empaque levou uma meia-hora, talvez, e lá pelo sétimo andar a coisa voltou a andar mais “normalmente”.

A visão do saguão e da frente do prédio no final da descida, apinhado de gente, parecia figuração de filme catástrofe... corror. Não tinha muito o que fazer, a não ser esperar os bombeiros controlarem a situação. Uns já diziam que o fogo, (que tinha acontecido nas máquinas dos elevadores no terraço) já estava controlado e que a descida via escadas era totalmente desnecessária, fruto do desespero injustificado das pessoas (vai dizer isso pra quem tava nos últimos andares pra levar um murro no meio das fuças, mané!).

Eu tava muito de cara com a situação toda, mas resolvi esperar no que ia dar. Definitivamente não ia ter tempo de voltar outro dia para fazer uma carteira que leva minutos para ficar pronta... Eu não ia pra casa sem a minha carteirinha!!!! (KKKK!³ - uma coisa meio Scarlett O’Hara... :p). Aí fiquei encostada na fachada do prédio, enquanto apareciam repórteres e redes de tv... eu ali na minha, tentando mandar uma mensagem de texto pro meu pai (que acabava de mandar uma perguntando do meu dia... mal sabia ele...), e não é que surgem três caras (que obviamente trabalhavam em um dos escritórios do prédio) querendo fazer a dança do siri!?!? KKKKKK!!! Até saí de perto... kkkkkkkk! Mas ficou só na ameaça... XD

Cerca de 2 horas depois da confusão toda os bombeiros liberaram o prédio e os elevadores. Mas claro, queria me certificar de que haveriam pessoas para me atender lá no 31º andar. E pedi ao recepcionista para ligar para a sala. Das duas vezes ninguém atendeu... decidi arriscar subir no mesmo elevador (não pude deixar de pensar num momento The Twilight Zone – voltando para a mesma situação... o.O), e não é que tinha gente lá? As duas gurias que estavam atendendo – tri gente boa - ainda nervosas com o ocorrido, me atenderam super rápido, e minha carteira ficou pronta na velocidade em que desci 17 andares... eu garanto!! (a mesma que tu leva para dizer “barbaridade”! KKKKK!).

Aliás, essa situação me lembrou muito de um episódio do The IT Crowd (Calamity Jen), impagável... agora até pode-se olhar para tras e rir de tudo isso...

Outra atividade que tomou meu tempo nessa semana foi a procura por um apartamento... mas isso é assunto para um próximo post... ;)

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:D T

ati de Tatiana, 29, squint pride!, made in Rio Grande do Sul, morando no Rio de Janeiro. Não vivo sem: família, namorado, Lola, amigos. Gosto de livros e filmes antigos (quanto mais bolorentos, melhor! - os filmes, não os livros :p). Atualmente ouvir música depende muito do meu humor. Me interesso por: arqueologia, antropologia forense, body art, música, fotografia, cosméticos, toy art, moda e webdesign. Tenho minhas tatuagens , meus piercings e nenhum arrependimento. Historiadora e arqueóloga aprendiz de paleopatologista (!) (um dia a gente chega lá...), enfim... uma metamorfose ambulante. @

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